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SPORTS: Teste de maturidade para a seleção olímpica brasileira (O GLOBO)

Saturday, June 9, 2012

Teste de maturidade para a seleção olímpica brasileira (O GLOBO)



Brasil enfrenta em Nova Jersey seu desafio de maior risco: a Argentina de Messi

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Neymar é a principal esperança da seleção brasileira
Foto: Reuters
Neymar é a principal esperança da seleção brasileiraREUTERS
NOVA JERSEY — Passaram-se quase dois anos. Neste sábado, Mano Menezes volta ao palco onde começou sua trajetória na seleção brasileira, em agosto de 2010, com uma vitória sobre os EUA por 2 a 0. Na ocasião, elogiado, ele avisou que nem sempre a vida seria tão fácil. Parecia adivinhar. Às 16h (de Brasília), ele volta ao Met Life Stadium, em Nova Jersey, numa situação distinta. Enfrenta um desafio bem maior: com o time olímpico, terá pela frente a Argentina, com todas as estrelas. Desta vez, vive um momento crucial da preparação para os Jogos de Londres. E, mais diferente ainda, às vésperas do jogo é o adversário quem chama mais atenção do que o Brasil. Claro, por causa de Messi.
Uma pergunta se impõe: seria um risco desnecessário para uma jovem seleção em formação bater de frente com Messi, Higuaín, Di Maria e Aguero?
— Comparando com nosso time, não creio que a Argentina seja uma seleção tão pronta. Idade pode interferir, mas, hoje, jogadores de 23 anos podem encarar este tipo de jogo. Vão aprendendo. Cometemos erros no último jogo (contra o México) que não vamos repetir. Entramos um pouco relaxados. Agora é ajustar a tensão e não entrar demasiadamente preocupado — disse Mano, que comanda um time com média de 22 anos, contra uma Argentina com 27 anos e meio de média. — Nossos jogadores terão personalidade para jogar. O perigo é outro. Por vezes, podem querer fazer coisas que não são necessárias de se fazer. Com a juventude, podem ter menos receio. A Argentina é mais rodada, é um time que jogou mais partidas. Temos que compensar entendendo a grandiosidade da partida.
Será a última chance de Mano Menezes ver o time antes da convocação para as Olimpíadas, dia 6 de julho. Embora perder um clássico para os argentinos não tenha cara de desastre, o Brasil vem de derrota para o México. Novo tropeço voltaria a colocar no time uma pressão que duraria até o início das Olimpíadas. Some-se a isso o risco envolvido num jogo com uma disparidade tão grande entre os times em termos de experiência. Cerca de 5 mil pessoas foram ver o treino da Argentina na última quinta-feira. O do Brasil reuniu 300 pessoas.
Para piorar, problemas
É fato que uma vitória, nestas condições, pode representar uma chancela a esta jovem seleção. Ainda mais que as diferenças, ao menos no papel, parecem se ampliar. Ao contrário do plano inicial, a definição sobre a escalação de Thiago Silva, que se recupera de contusão no joelho, ficou para hoje pela manhã. Ele dirá ao médico José Luiz Runco se ainda sente dor e se tem condição de jogo. Mano Menezes cogitou até lançar Casemiro, tornando o time mais cauteloso. O objetivo seria ajudar os garotos Bruno Uvini e Juan, que formarão a zaga caso Thiago Silva fique mesmo fora. Para piorar, Rômulo sentiu um problema muscular no treino de ontem e virou a mais nova dúvida.
— Hoje (nesta sexta-feira), como está, eu não jogaria. Quero jogar, mas a dor impossibilita de fazer algumas coisas. Tenho certeza que vai diminuir. Não adianta ir para este jogo com 80% — disse Thiago.
O discurso é de coragem. Até mesmo de onde não se deveria esperar tal postura. O lateral Rafael, que entra na vaga de Danilo, dá o tom.
— Quero mostrar ao Brasil quem é o Rafael — afirmou. — Claro que Messi é brilhante. Mas não é imarcável. Em campo, não tem Messi ou qualquer outro craque. Dá para marcar. O Brasil é o país do futebol. Sabemos jogar bola.
Mano não esconde a preocupação com Messi. Quer o time compactado, reduzindo espaços. E sendo cuidadoso até na hora de tentar marcar pressão, como fizera nos últimos jogos.
— Trata-se do melhor jogador do mundo. E isso requer atenção especial. É alguém que sempre faz algo diferente. Mas achamos que a melhor forma é uma marcação por zona. Podemos até marcar por pressão a saída de bola. Mas só será uma arma se o time estiver compacto. Se espaçar um pouquinho, teremos problemas — disse o treinador.
Novo Messi?
Acostumado a enfrentar Messi em duelos duros pelo Real Madrid, o lateral Marcelo manteve a postura de mostrar que o Brasil não vai se apequenar.
— Aqui é seleção, não temos medo de ninguém — disparou. — Não vou dar dica de como fazemos para marcar o Messi no Real Madrid. Ele é um grande jogador, mas também temos qualidades.
Em relação à estreia de Mano, só três jogadores que enfrentaram os EUA, em 2010, estão na seleção hoje: Thiago Silva, Neymar e Pato. Além de David Luiz, que está se recuperando de lesão.
Messi chega ao jogo em novo momento em sua trajetória pela seleção argentina. Vem de uma sequência de grandes atuações, aplacando as críticas de que não rendia tão bem quanto pelo Barcelona. Agora, como capitão do time, vê Maradona afirmar que “precisa aprender a liderar”.
— Alguns são capitães pela influência fora de campo. Outros, pela superioridade técnica. É o caso de Messi. Mas ele é cada vez mais líder e respeitado fora de campo também — disse o técnico Alejandro Sabella.
Os argentinos também tomam precauções. Fecharam treinos, cancelaram as entrevistas que os jogadores dariam ontem e tentam tirar dos ombros a responsabilidade diante de um Brasil que está com o time olímpico.
— Nas Olimpíadas de 1996, a seleção argentina teve nove jogadores que acabaram jogando a Copa do Mundo de 1998. Quando se tem qualidade, idade não faz diferença — disse Sabella. — O Brasil tem uma nova geração talentosa. Neymar faz coisas imprevisíveis. Tomara que não esteja num dia bom.
Nesta sexta-feira, o presidente da CBF, José Maria Marín, adotou um discurso tranquilizador para Mano Menezes.
— Não há cobrança de resultado imediato. A filosofia mudou e este grupo está resgatando a autoestima do brasileiro. A derrota para o México foi diferente, por exemplo, daquela para a Alemanha, quando não gostei — disse Marin.
Todos os 81 mil ingressos para o jogo foram vendidos. O Met Life Stadium é o único estádio da liga profissional de futebol americano que abriga dois times: o Giants e o Jets.
Brasil x Argentina
Horário: 16h
Local: Met Life Stadium, em Nova Jersey
Brasil: Rafael Cabral, Rafael, Bruno Uvini (Thiago Silva), Juan e Marcelo; Sandro, Rômulo, Hulk, Oscar e Neymar; Leandro Damião.
Argentina: Romero, Zabaleta, Fernandez, Garay e Clemente Rodríguez; Gago, Mascherano, Sosa e Di María; Messi e Higuaín.


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