Torneio volta ao Leste Europeu após 36 anos, com dúvidas e preocupações
RIO — Se a Eurocopa está de volta ao Leste europeu pela primeira vez desde a edição de 1976, na antiga Iugoslávia, é graças a um acordo que, três meses antes da vitória das candidaturas de Polônia e Ucrânia, em abril de 2007, garantiu a eleição de Michel Platini à presidência da Uefa. O preço cobrado foi alto. Para assegurar o cumprimento de exigências mínimas em meio a mudanças de governo nos dois países, o dirigente precisou pôr em jogo seu charme de ex-craque e prestígio político. Hoje, ao assistir à partida de abertura entre Polônia e Grécia, em Varsóvia, às 13h (horário de Brasília), Platini estará na torcida para que a crise europeia e as ameaças de racismo não estraguem a festa.
TABELA: Os grupos e os jogos da Euro
Embora após a queda do Muro de Berlim diversos países do extinto bloco comunista tenham se tornado economias capitalistas, a questão financeira sempre foi impedimento para que o lado menos rico do continente recebesse a competição. Diante da atual crise econômica que aflige a Europa ocidental, os países do Leste, mais do que nunca, tornaram-se estratégicos para a Uefa.
Em 2016, na França — com Platini, quem sabe, já como sucessor de Joseph Blatter na Fifa — a Eurocopa inovará no formato, passando a ter 24 e não mais 16 participantes. Para 2020, no entanto, só a Turquia se candidatou até agora para receber o evento. Portanto, a “abertura” e o sucesso da edição atual são vistos como fundamentais para a atração de novos parceiros.
Se o hiato de 36 anos até o torneio voltar ao Leste europeu se justifica sob o ponto de vista econômico, tecnicamente foi uma aberração, uma vez que seleções como União Soviética, Tchecoslováquia e Iugoslávia se acostumaram a participações relevantes. Rússia e República Tcheca, que completam a primeira rodada do Grupo A, também hoje, em Wroclaw, às 15h45m (horário de Brasília), herdaram, por exemplo, um título soviético (1960) e outro tcheco (1976), fora quatro vices, que os iugoslavos também alcançaram (1960/68) antes de a antiga república se desmembrar em estados independentes.
Favoritismo espanhol
Poloneses, russos, tchecos e os coanfitriões ucranianos têm chances remotas de triunfar. Dinamarca e Grécia, as maiores surpresas da história da competição, tampouco. Atual campeã da Europa e do Mundo, a Espanha é o time a ser batido. Se vencer novamente agora, será a primeira equipe a conquistar três torneios desse porte em sequência na Europa. Num país em que a taxa de desemprego da população economicamente ativa supera os 20%, a seleção de futebol ainda carrega o fardo de ser um dos poucos motivos de alegria para o povo espanhol.
— Tenho procurado passar para os jogadores a ideia de que eles não podem baixar a guarda. Queremos defender nosso título — disse o técnico Vicente Del Bosque.
Com um grupo praticamente igual ao que disputou a Copa da África do Sul, há dois anos, a Alemanha vem forte como sempre, assim como a Holanda, que aposta no grande momento vivido por Robin Van Persie. Sem Messi para lhe ofuscar, o português Cristiano Ronaldo é candidato a estrela do torneio, que ainda traz Itália e Inglaterra com uma cara nova. Até 1º de julho, a Europa, mais do que nunca, é o centro do futebol mundial.
O canal Sportv transmitirá todos os jogos da Eurocopa.
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